A administração da Marítimo da Madeira - Futebol - SAD apresentou à Assembleia-Geral as contas do exercício de 2025/2026, que registam um resultado líquido negativo de 6,82 milhões de euros. A decisão de preservar o plantel para lutar pela subida à I Liga, o pagamento de prémios associados aos objetivos alcançados, a ausência de venda de jogadores e a inexistência de um efeito contabilístico favorável registado no exercício anterior são os principais fatores identificados pela administração para explicar os resultados.
A manutenção dos principais jogadores foi uma opção deliberada. A administração deu prioridade à competitividade da equipa e ao objetivo de regressar ao principal escalão, prescindindo das receitas que poderiam resultar de transferências.
Os outros rendimentos diminuíram de 4,44 milhões para 2,04 milhões de euros, uma redução de cerca de 2,40 milhões que a administração associa à ausência de vendas de jogadores. Em sentido contrário, as receitas de vendas e serviços prestados aumentaram de 1,05 milhões para 1,29 milhões de euros, enquanto os subsídios à exploração passaram de 1,17 milhões para 1,28 milhões.
Os gastos com pessoal cresceram de 7,20 milhões para 8,64 milhões de euros. Este aumento está ligado à política contratual adotada, que privilegiou salários fixos mais baixos, complementados por prémios de desempenho e de concretização dos objetivos desportivos.
A comparação entre exercícios exige também considerar a reversão de uma provisão de 1,71 milhões de euros, que beneficiou as contas de 2024/2025 e que não se encontra presente em 2025/2026.
Apesar do aumento dos gastos com pessoal, houve uma redução expressiva noutras despesas. Os fornecimentos e serviços externos passaram de 2,19 milhões para 2,06 milhões de euros e os outros gastos diminuíram de 766 mil para 144 mil euros. Estas duas rubricas registaram, em conjunto, uma redução de aproximadamente 759 mil euros.
Remunerações refletem acumulação de responsabilidades
Na Assembleia-Geral foi igualmente apresentada a atualização das remunerações dos dois administradores, com aumentos de cerca de 35% para o Presidente e de 15% para o Vice-Presidente.
A administração fundamenta esta atualização no alargamento das funções exercidas por ambos. Após a saída de um dos três administradores, sem substituição, as suas responsabilidades foram repartidas pelos dois membros que permaneceram em funções. O trabalho que antes era repartido entre 3 administradores e 1 diretor desportivo, neste momento, é desempenhado apenas pelos 2 administradores, sendo que o acréscimo salarial é muito inferior ao custo dos 2 elementos que deixaram de colaborar com a SAD.
No início da presente época, a saída do diretor desportivo também não deu lugar a uma nova contratação. As respetivas funções passaram igualmente a ser asseguradas pelos dois administradores, que acumulam, assim, responsabilidades acrescidas na gestão da SAD e do futebol profissional.
Regresso à I Liga abre caminho à recuperação financeira
Para o novo exercício, a administração prevê um aumento das receitas superior a 100% face à II Liga. Este crescimento constitui a base da estratégia para reequilibrar as contas e regressar a resultados positivos.
O objetivo passa por aproveitar as receitas da I Liga, manter o controlo dos custos e assegurar uma equipa competitiva, conciliando as exigências do futebol profissional com a sustentabilidade financeira da SAD.